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2022-01-01

Fator de Potência na UFPA: como a pandemia expôs um problema de R$ 40 mil por mês

Publicação: Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v.2, n.5 (2022)
DOI: 10.56083/RCV2N5-004
Conferência relacionada: CBQEE 2021 — 10.17648/cbqee-2021-130663


O problema

Desde 2017, a Universidade Federal do Pará vinha sendo multada pela concessionária de energia por conta do baixo fator de potência na sua rede interna. O fator de potência é uma medida de eficiência: quanto mais próximo de 1,0, mais eficiente é o uso da energia elétrica. Quando ele fica abaixo de 0,92 (limite estabelecido pela ANEEL), a distribuidora cobra uma tarifa adicional.

O problema existia, mas era gerenciável — até a pandemia mudar tudo.

O que a COVID-19 mudou

Com o isolamento social em 2020, o perfil de consumo da UFPA mudou drasticamente. Os laboratórios e salas de aula foram desligados. O que restou foram os servidores, os sistemas de climatização dos data centers e equipamentos de suporte contínuo — exatamente os tipos de carga que consomem mais potência reativa.

O resultado: o fator de potência caiu ainda mais. As multas aumentaram. O custo chegou à faixa de R$ 40.000 por mês apenas em encargos por excedente de reativo.

O estudo

O trabalho consistiu em:

  1. Medição e análise do consumo de potência ativa e reativa em diferentes pontos da rede interna do campus Guamá
  2. Identificação dos períodos críticos — horários e dias da semana com pior fator de potência
  3. Dimensionamento de um banco de capacitores para compensação de reativo na subestação do campus

A compensação de potência reativa funciona de forma simples: capacitores “injetam” reativo capacitivo na rede, compensando o reativo indutivo consumido por motores, transformadores e outros equipamentos. O resultado é um fator de potência mais próximo de 1,0.

O resultado

O banco de capacitores dimensionado no estudo, após implantação, foi capaz de eliminar praticamente toda a multa por baixo fator de potência — gerando uma economia estimada em torno de R$ 40.000/mês para a universidade.

Por que isso importa além da UFPA

Universidades, hospitais, shoppings e qualquer instalação com grande quantidade de motores e transformadores enfrentam o mesmo problema. A pandemia apenas tornou mais visível algo que já existia silenciosamente em diversas instalações brasileiras.

O estudo mostrou também como crises podem revelar ineficiências estruturais — e como um diagnóstico técnico bem feito pode transformar um custo crônico em economia real.


Este trabalho foi desenvolvido durante minha atuação como pesquisador no CEAMAZON (Centro de Excelência em Eficiência Energética da Amazônia) na UFPA, entre 2020 e 2022.